28 de janeiro de 2013

Cap 22 - Livro Almas em Desfile - ANTES DE CHEGAR



Antes de chegar
Hilário Silva
Estávamos em tarefa de assistência, na grande nave aérea, que voava tranquilamente. Lá embaixo, as montanhas mineiras mostravam a exuberância de sua vegetação. Aqui e ali, uma nuvem a espreguiçar-se, impassível.
Lado a lado, conversavam dois amigos:
– E você, que fará no Rio?
– Vou tratar da saúde.
– Você? O confidente dos “bons Espíritos”?
– Como não? São bons amigos... Mas um amigo não pode apagar nossos débitos.
– Mas, enfim, para que serve o Espiritismo?
– Ajuda-me a viver preparado.
– Para quê? – e sorriu, insolente, o companheiro sarcástico. – Vocês, religiosos, só falam em amanhã e amanhã. Mas a vida é hoje, meu caro... Ateu como sou, vivo muito melhor. Minha fazenda dá de tudo. A corretagem é boa mina. Com ela, estou formando larga frota de caminhões em Brasília! Mas vocês, espíritas, são impressionantes. Pensam somente em sessões e ilusões, com os olhos no outro mundo...
– Não é tanto assim...
– Que faz você, agora?
– Como há dez anos, represento o comércio.
– Muitos patrões?
– Muitos patrões.
– Faça como eu. Nada de dependência. Sou livre, livre. Vou aonde quero e faço o que quero. Neste ano, levantarei meu arranha-céu em São Paulo, terei minha casa de repouso, no Eldorado, adquirirei terreno numa das praias de Santos e comprarei novas terras em Goiás. Mas, antes disso, quero visitar Nova York. Darei uma espiada na América. Já estou providenciando passagem num Caravelle... Nada de outra vida. Quero esta mesma...
Nesse ínterim, a grande cidade, embora ao longe, apareceu de todo...
O Corcovado e o Pão de Açúcar ornavam a natureza da terra carioca.
– Veja a beleza do mundo! – acentuou o viajante materialista. – Isso é para ser desfrutado, gozado, aproveitado. E depressa. Nada de amanhã. Tudo é hoje. Se você quiser esquecer essa história de mortos comunicantes, dê à noite um pulo no meu hotel!...
Nisso, porém, a máquina poderosa começou a jogar.
Parecia um pássaro enorme em convulsões imprevistas.
E, antes que os passageiros dessem conta de si, o grande avião mergulhou no mar, com a desencarnação de todos...

(Do cap. 22 do livro Almas em Desfile, obra psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier. )

O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 9.



O Evangelho Segundo o Espiritismo
A nova era
Deus é único e Moisés é o Espírito que Ele enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade.
Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, praticada em toda a sua pureza, não na teriam então compreendido. Mas, nem por isso os dez mandamentos de Deus deixavam de ser um como frontispício brilhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a Humanidade tinha de percorrer.
A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar, e esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus de outro modo que não por meio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a um inimigo.
Notável do ponto de vista da matéria e mesmo do das artes e das ciências, a inteligência deles muito atrasada se achava em moralidade e não se houvera convertido sob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semimaterial, qual a que apresentava então a religião hebraica. Os holocaustos lhes falavam aos sentidos, do mesmo passo que a idéia de Deus lhes falava ao espírito.
Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a Natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance.
São chegados os tempos em que se hão de desenvolver as idéias, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as idéias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém, que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas idéias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá. — Um Espírito israelita. (Mulhouse, 1861.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 9.)